Você está pensando em se tornar um signmaker? Está com pouca grana?
Então por que não começar com uma empresa de corte eletrônico?
Existem diversas empresas no Brasil que representam plotters, software e vinil das melhores marcas do mundo. Os preços dos equipamentos vêm despencando a cada ano, fazendo surgir mais e mais empresas de corte eletrônico e popularizando o vinil auto-adesivo.
Hoje é possível montar uma empresa de corte eletrônico gastando bem menos de US$ 10 mil em equipamentos (plotter com 60cm de largura, software específico, scanner e computador).
É claro que o iniciante precisa buscar alternativas que se encaixem no seu perfil, seja criando uma empresa sozinho ou tornando-se franqueado de alguma empresa de Sign existente. A tecnologia de corte eletrônico não é complicada, mas a franquia tem a vantagem de oferecer treinamento e suporte constantes.
Mas lembre-se, para ser um signmaker é preciso ter uma grande vontade de estar sempre evoluindo, pesquisando e aprendendo. É necessário ser criativo, ter visão empresarial, jogo de cintura e saber fazer de seus clientes o seu melhor cartão de visita.
Uma empresa de corte eletrônico funciona bem com quatro funcionários, incluindo você mesmo, que deve ser não só o administrador da empresa, mas também aquele que conhece muito bem o software de corte, os recursos do plotter e as técnicas de aplicação, além de ser o melhor vendedor da empresa. Não se esqueça: ninguém melhor que você mesmo para vender sua imagem.
Todo signmaker trabalha sempre com pessoas ligadas à criação, e muitas vezes a função do signmaker é apenas finalizar um trabalho já criado. Mas nem sempre o trabalho que vem para ser finalizado pode ser executado em corte eletrônico. É aí que entra o bom signmaker, criando alternativas para atingir o objetivo do cliente. O mercado de signs tem crescido muito nos últimos três anos. Estão sempre surgindo novos nichos para a utilização destes fantásticos adesivos recortados. Como exemplos de serviços, podemos citar as cooperativas de vans, táxis, ônibus, carros de empresas, banners, posters, galhardetes, faixas, vitrines, letreiros, placas, painéis e muito mais.
Mas, antes de comprar qualquer equipamento ou software, participe de feiras de sinalização, visite algumas revendas e solicite demonstrações dos recursos de hardware e software.
Cuidados ao comprar
Quando for comprar seu software, verifique os seguintes aspectos:
* Compatibilidade com os principais softwares gráficos no mercado (CorelDraw, Illustrator, etc.);
* Filtros de importação e exportação de arquivos;
* Recursos de impressão para gerar layout;
* Recursos de digitalização de imagens;
* Panelização de imagens;
* Ferramentas de pontos;
* Efeitos especiais (distorções, sombras, arcos, perspectivas, listras, etc).
* Ferramentas de edição de textos;
* Compatibilidade com os diversos tipos de fontes (True Type, Type 1…);
* Treinamento;
* Atualização de software e assistência permanente;
* e, por último, custo x benefício.
Não se iluda com o software completo com todos os módulos se o tipo de serviço que você pretende prestar não fará proveito de todos os recursos.
Quanto ao plotter, observe:
* Velocidade de corte (cm por segundo);
* Pressão de corte (em gramas);
* Precisão de corte;
* Tipos de substratos aceitos (vinil, vinil refletivo, filme rubi, papel, pouncing, etc.);
* Facilidade de ajuste do plotter para diversos tipos de substratos (dê preferência a painéis digitais por terem ajuste mais preciso);
* Alinhamento e suporte para os substratos;
* Comprimento máximo de corte (em metros);
* Assistência técnica e suporte.
Há plotters com diversas larguras de corte. É importante lembrar que um plotter de 1,20m de largura de corte às vezes chega a custar 3 vezes mais que um de 0,60m de largura.
Se você não comprar um plotter de 1,20m, há empresas que terceirizam suas máquinas, permitindo que você prepare o seu arquivo de trabalho e o leve apenas para cortar.
Tendo escolhido seu software e seu plotter, adquira um bom computador, um monitor de 17” ou superior, placa aceleradora de vídeo, um HD espaçoso e um scanner de mesa colorido. Escolha ainda um excelente mouse, pois ele pode fazer uma grande diferença nas longas horas de trabalho.
Tenha também um bom sistema de “backup” de arquivos, pois muitos clientes voltam depois de alguns meses, solicitando um trabalho já executado.
Escolha o material certo
No Brasil não temos mais problemas para comprar o vinil. Há várias empresas representando boas marcas de vinil importadas e algumas empresas de material nacional. A maioria das revendas faz despachos para todo o Brasil.
O vinil auto-adesivo tem tipos e especificações para cada finalidade, cada qual com um processo de fabricação diferente. Podemos dividi-los em dois tipos genéricos: Cast ou Calandrado.
Os vinis Cast ou Alta Performance são importados, de melhor qualidade e maior durabilidade. São películas mais finas e muito mais caras. Possuem garantia de uso externo e coloração de até dez anos.
Já os vinis Calandrados podem ser nacionais ou importados. São películas mais grossas, possuem menor durabilidade e podem sofrer anomalias com o tempo. Sua garantia varia de um a cinco anos, em alguns casos somente para uso interno.
Cada material tem seu uso específico, por isso, não usaríamos um vinil Alta Performance ao fazer uma aplicação em um stand ou um banner que terá uma durabilidade de um mês. Da mesma forma, não colocaríamos um vinil calandrado em uma aeronave, sujeita a intempéries constantes.
Podemos ainda dividir os diversos tipos de vinil em:
* Opacos: são os mais comuns e se prestam a diversos serviços, como faixas, banners, carros, barcos, aeronaves, stands, placas, vidros, etc.
* Translúcidos: permitem que a luz passe uniformemente por toda a extensão da película, criando um excelente impacto visual. Utilizados na confecção de letreiros luminosos do tipo backlight. São usados também para a decoração de vitrines.
* Refletivos: material que reflete quando a luz incide sobre ele (à noite). Muito utilizado em placas de rua, atualmente empresas de ônibus têm aderido a esta película, pois, além de destacar sua marca durante a noite, gera maior segurança para os motoristas e passageiros.
* Fluorescentes: são aqueles de cores fortes e berrantes. Sua garantia não passa de seis meses, devido a sua baixa resistência contra o ultra-violeta.
* Metalizados: vinis opacos que criam o efeito de metalizados.
* Marmorizados: assim como os metalizados, criam a idéia de mármores.
* Jateados: vinis que substituem o tradicional jato de areia em vidro. Disponíveis em diversas cores, com e sem brilho. Muito utilizado em vidros e blindex. Possuem uma grande vantagem em relação ao jato de areia: podem ser modificados a qualquer momento sem danificar o vidro.
* Especiais: podem vir com dégradé, listrados, com bolinhas, duas cores, etc.
A aplicação ideal
Não é só o vinil que você precisa conhecer: a superfície em que ele será aplicado também é peça fundamental para uma boa aplicação. Normalmente a aplicação é feita com uma solução própria que se pode adquirir nas empresas do ramo. Mas esta solução pode ser substituída por uma colher de sopa de detergente neutro diluída em um ½ litro de água.
É preciso que a superfície esteja totalmente limpa, pois a poeira pode destruir seu trabalho. Pegue o adesivo, retire o “liner” e molhe a superfície de aplicação e o lado do adesivo que contém a cola com um borrifador contendo a solução. Posicione o adesivo no local desejado, passe a espátula do centro para as pontas, fazendo com que as bolhas de ar saiam junto com o líquido, e deixe secar por algumas horas. Retire a máscara de transferência devagar e em paralelo com a superfície. Se persistir alguma bolha, fure-a com um alfinete e com o próprio dedo, retire o ar da bolha.
Algumas superfícies precisam de cuidados especiais no momento da limpeza e da aplicação. Seguem algumas dicas:
* Vidros e blindex: Limpe o vidro com vinagre, que retira a oleosidade do vidro e facilita a aplicação.
* Lonas e plásticos: Limpe com álcool isopropílico (que você pode encontrar em farmácias), evitando o surgimento de “estrias”, o que é muito comum em galhardetes e faixas.
Obs.: Vale lembrar que sempre que tiver que enrolar um trabalho feito em vinil adesivo, faça-o com o lado da aplicação para fora. Muitos pensa que se enrolarem ao contrário estarão protegendo o adesivo, o que não é verdade pois dessa forma o fenômeno “estrias” aparecerá mesmo que a superfície tenha sido limpa corretamente.
* Latarias de veículos: limpe normalmente com água e sabão, mas não use cera ou quaisquer produtos químicos antes da aplicação.
* Paredes e madeiras: faça um teste antes de molhar a superfície. Normalmente é possível fazer aplicações a seco.
* Superfícies irregulares (utilize sempre vinil cast): em latarias com quebra de níveis, faça a aplicação calmamente e por partes – nunca coloque o adesivo de uma só vez passando por um desnível. Comece pela parte plana e vagarosamente acompanhe o adesivo pelas quebras utilizando a espátula. Só passe para a próxima quebra quando a primeira estiver colada. Em alguns casos é necessário o uso de um soprador térmico para moldar melhor o vinil. Em se tratando de latarias com arrebites, a situação se complica um pouco: faça a aplicação normalmente e, ao passar pelo arrebite, use um soprador térmico para aquecer o vinil e deixá-lo mais maleável. Pegue uma escova redonda (também disponível nas lojas do ramo) e dê umas batidas de leve no vinil, para que ele tome as formas do arrebites. Se preciso, faça alguns furos com um alfinete no vinil, na base do arrebite, para facilitar a saída do ar.
* Letreiros luminosos: jamais sobreponha uma cor à outra. É preciso criar “overlaps”, evitando também o encaixe de uma cor com outra. As cores mais escuras devem estar com o “overlap” por cima das mais claras.
Seja profissional
Não se iluda: não é porque um material calandrado está dando 3 ou 5 anos de garantia e possui um preço mais barato, que sua margem de lucro será maior. Em alguns casos, você terá que refazer todo o trabalho por problemas que irão acontecer devido ao tempo.
Outros fatores importantes são a validade do material, sua forma de estocagem e a temperatura do ambiente.
Já aconteceu comigo utilizar o Vinil Cast translúcido para sinalizar um letreiro em duas cores, e dois meses depois, por problemas de validade ou de estocagem, uma das cores começar a se soltar, obrigando-me a trocar toda a sinalização.
A situação mais difícil, porém, é quando participamos de concorrências e descobrimos que nosso preço é o dobro do concorrente. Será que estamos cobrando muito caro ou o concorrente não está tendo lucro algum? Cuidado: às vezes o material não é específico na proposta, seja por razões econômicas ou por falta de conhecimento em relação aos possíveis problemas decorrentes da utilização de material inadequado.
Há alguns anos participei de uma concorrência para fazer toda a sinalização interna e externa de uma empresa, incluindo placas de estacionamento e direcionais. Perdi a concorrência, pois o preço do meu concorrente era muito menor. Recalculei meu orçamento e verifiquei se tinha feito algum erro de cálculo.
Eu estava trabalhando com o vinil de maior qualidade, que obviamente custa mais caro (não deveria ser outro). Retornei ao cliente para explicar-lhe a razão de o meu preço ser mais alto e avisá-lo que uma linha de material inferior não seria recomendável para o serviço. Segundo ele, meu concorrente também estaria trabalhando com a melhor linha de vinil e seu preço era muito bom por que ele fazia importação direta.
Inconformado com a resposta, só pude esperar para ver o trabalho pronto. Dito e feito, o vinil era promocional – é fácil perceber pela espessura e brilho do mesmo (coisas que o cliente nem sempre sabe). E, para surpresa de uns, alguns meses atrás o vinil começou a descolar das placas externas. As internas ainda estão boas, mas até quando?
O mercado de signs está em expansão e é bastante promissor. O corte eletrônico é o primeiro passo para quem deseja tornar-se um sigmaker.
“Ser signmaker é ter todos os dias um novo desafio; é ter a certeza que a rotina não existe; é ter orgulho de encontrar em cada esquina um trabalho desenvolvido por você.
Ser signmaker é desafiar sua mente constantemente e descobrir a cada dia que o limite da criação está longe de existir.”
(Cláudio Castanhola)
Cláudio Castanhola é sócio da Textos e Contextos Sinalização Computadorizada